sábado, 29 de agosto de 2009

Acordar e fingir

Só agora eu percebo que tudo esta mudando, tudo esta ficando ao contrario. E me dá vontade de gritar. Só gritar. Até alguém ouvir. Ate que alguém me escute, se preocupe, me entenda. Ate que alguém que passe pela mesma coisa que eu venha e me diga que eu não sou a única, que eu não sou a primeira. Minha família não é a mesma, não é uma só. Eu sinto falta do meu pai chegar em casa, da minha mãe estar em casa, do meu irmão estar sempre me fazendo cosquinha, e passar a tarde inteira do meu lado. Eu sinto falta da minha Irma me acordar no meio da noite e dizer que está com medo do silencio, que precisa da minha mão. Eu preciso não estar só com a minha mãe, não ter que resolver tudo. Não ter que chegar cedo, por não sair. Eu preciso não estar aqui, eu preciso não estar sozinha. Eu preciso da minha força, da minha força de vontade, da minha esperança, mas eu não sei onde encontrar. Eu não tenho mais fontes, se esgotaram todas, e eu não tenho ninguém. Eu não quero me conformar. Eu quero gritar para o mundo, pra quem quiser ouvir, que foda-se. Eu só quero estar no meu quarto. Escuro, sem ninguém me olhando, me cobrando, sem ter que cobrar ninguém. Eu só quero estar no meu quarto, sentir meu silencio e colocar pra fora tudo que eu prendo a todo o tempo: minha sensibilidade, minha carência, minha tristeza. Pra no outro dia acordar com renovadas forças,
acordar e fingir.

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